A primeira vez que a vi me encantei por seus olhos cinzentos. Não um cinza óbvio, mas sim escondido nas profundezas do círculos aparentemente castanhos. Ela sorria mostrando quase todos os dentes, mas no fundo das risadas havia uma tristeza secular, nuvens pesadas esperando a oportunidade de fazer chover.
Eu queria fazê-la feliz, e realmente acreditava ser capaz. Numa noite abafada, propensa a confissões, ela me disse que sua solidão era pesada demais, e eu não a suportaria. Falei que comigo seria diferente, eu iria dissipar suas nuvens e trazer luz solar. Ela me deu um sorriso triste, e lá no fundo encontrei esperança em seu olhar.
Suas tempestades eram intensas, repletas de ventanias de sentimentos reprimidos. No início eu achava até charmosa tanta intensidade, e via como um desafio a ser vencido. Mas ela estava certa.
Não suportei sua solidão. Não queria ser mais uma cicatriz em sua pele já calejada. Mas a fiz sangrar, adicionando mais uma dor dentre tantas que ela já sente. E em um dia nublado, mas não tanto quanto seus olhos, ela me disse: Eu sabia que terminaria assim.
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Fonte:https://media.giphy.com/media/T7iuFVX13Glji/giphy.gif |
Que lindo e que triste! Quanta gente se acha capaz de ter/ser o remédio para o outro, uma vaidade de superheroi que acredita que tudo pode. O outro é o outro.
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