Pular para o conteúdo principal

Sair do ninho

Sair no ninho é não ter um abraço durante choro, e perceber que as lágrimas são mais cruéis quando em meio à solidão.
É ter a oportunidade de recomeçar, construir um novo Eu, e depois de um tempo descobrir que nunca será possível enterrar completamente o passado, por mais longe que ele esteja.
É comer miojo, ovo cozido, enlatados, e se sentir um Master Chef. É lavar pouca louça e nunca ter outra xícara sobre a mesa.
É confiar desconfiando de todos. Não saber em quem acreditar. Ouvir comentários e tentar decifrar entrelinhas. É ser apunhalada todos os dias, e continuar a luta, mesmo sangrando.
É saudade do mar, dos livros, do clima e até do trânsito. 
E, apesar de tudo, ter a esperança que a caminhada não é em vão.

Comentários

  1. Não é em vão. Nunca é.

    ResponderExcluir
  2. Que texto lindo! <3 Tenha certeza de que, apesar dos tropeços, nunca é em vão.

    ResponderExcluir
  3. Olá! Que reflexão maravilhosa. Amei demais, sair do ninho é saber que tem escolhas e saber que a decisão de cama uma é da própria pessoa, é saber que estará escrevendo sua história.
    Amei <3
    Beijos.

    www.meumundosecreto.com.br

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Já falei demais!Deixe seu recado:

Postagens mais visitadas deste blog

O Nome da Rosa - Umberto Eco

  Li novamente essa obra, que é minha história de suspense preferida. Mas a série de mortes ocorridas em uma abadia na Itália medieval é apenas um dos elementos das múltiplas camadas desse livro. Demorei meses para percorrer o labirinto de suas páginas, tão fascinantes e misteriosas quanto a fantástica biblioteca da abadia, talvez um dos personagens mais importantes da história. Essa edição que me presenteei é linda, possui tradução dos trechos em latim e um envolvente texto escrito pelo autor, onde ele relata o processo de criação do livro, unindo humor e informação, afinal “ admittenda tibi Joca sunt post seria quaedam “

Para o menino que brinca

Todos os dias passava pelos seus companheiros Mas não enxergava crianças, apenas perigo Medo e preconceito eram meus parceiros Passar por vocês para mim era um castigo Hoje seria só mais um dia, nada especial Acordar, tomar um banho, beber um café forte Enfrentar o diário engarrafamento infernal Mas você surgiu e mudou minha sorte Fazia frio e caía uma melancólica garoa Você e um cão vira-lata brincavam Como se a vida fosse suave e boa Para serem felizes vocês se bastavam Embaixo de uma marquise decadente Crianças e jovens com frio, encolhidas O horror então apoderou minha mente Ao pensar na inocência e esperança perdidas Menino que brinca, fique sabendo Você é flor em meio a tanto terror Suas pétalas levadas pelo vento Encheram a praça de amor

Mesma cidade, novos caminhos

Apesar dos engarrafamentos, violência, custo de vida, transporte púbico péssimo, ainda amo minha bela cidade do Salvador. Criatura caseira que sou, não saio muito, e tem muitos lugares que não conheço, mesmo vivendo há 25 anos aqui! Dia 23 de dezembro passeei pelo centro e aproveitei para tirar algumas fotos. E no meio do caos pré natalino, encontrei um oásis de paz e beleza: O Passeio Público, um espaço com árvores, esculturas, parquinho e um teatro(o famoso Vila Velha). Já havia passado pelo seu portal dezenas de vezes, mas só havia entrado numa noite, correndo com medo do ambiente com cara de filme de terror(na época era bem tenebroso de noite) para pegar um ingresso de uma peça que nem pude ir =/ Foi bom aproveitar melhor o espaço nessa tarde.  Lindo pôr-do-sol Me imaginei morando perto, indo ler nesses banquinhos todo dia Também fotografei locais mais óbvios, mas não menos belos. Crianças correndo são sempre fotogênicas ^^ Gostei muito dessa...