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Postagens

A última noite

Por muitos era tido como uma criatura amaldiçoada, fruto e ao mesmo tempo fonte de todo mal sobre a Terra. Filho da noite, há séculos não via mais os raios do Sol. Amava as trevas, perambulando sem medo nas sombras à procura de sangue inocente. Todas as madrugadas admirava o céu até o último suspiro da noite, assistindo as mudanças das nuances causadas pela luz, sua inimiga. Sua contemplação permanecia até o segundo derradeiro, quando o sol quase  surgia, e então se recolhia ao túmulo. Cada vez mais recolhido no fundo do poço, acreditava não haver salvação para sua alma. Então conheceu Luna, de pescoço delicado e sangue tão puro que tornava-se intragável para seus dentes maléficos. Não pôde mordê-la, matá-la, nem machucá-la.O amor tomou conta de sua alma e passou a seguir em segredo sua amada todas as noites, guardando seu sono com total dedicação. Mas Luna era humana, e década após década sua vida rapidamente ia esvaindo-se.Em uma noite de rara beleza Luna faleceu, e...

Filme Operações Especiais -Resenha da Bru

Fonte: http://www.mundoverso.com.br/2015/09/cleo-pires-mandando-bala-no-trailer-do.html Depois de um bom tempo ouvindo falar desse filme, resolvi dar uma chance para a ação brazuca e assisti. Como não esperava nada, ele me surpreendeu positivamente! Aliás, essa é uma dica para vida: Encare o desconhecido sem muitas expectativas, dificilmente você se decepcionará! Em linhas gerais, a produção conta a história da investigadora Francis (a diva Cleo Pires). Diferente de muitos filmes nos quais a policial é durona, do tipo "sou mais macho que muito homem", Francis caiu meio que de paraquedas no mundo policial. Formada em Turismo, resolveu fazer o concurso para matar de recalque o ex-namorado segurança e passou. Achei essa facilidade em conseguir o cargo no mínimo ingênua. Cadê noites em claro estudando? Cadê o sangue e suor na Academia de Polícia? Certo que não era o foco do filme, mas poderia ter pelo menos pincelado. Ai carai, que eu tô fazendo aqui? Eis qu...

Para quem escrevemos?

Toda vez que alguém pergunta, geralmente em grupos e fóruns da internet, o motivo pelo qual ter um blog é benéfico, tenho a resposta na ponta dos dedos: É um espaço de libertação. Parecia-me uma boa explicação, além de causar certo efeito dramático bem ao meu gosto. Mas será mesmo que escrever sempre nos liberta?  Quando fiz meu primeiro blog, há uns 11 anos, a blogosfera era um espaço quase ingênuo, no qual desabafávamos, contávamos nossas ideias e sonhos em textos longos decorados com glitter e dolls adoravelmente bregas. Os textos não precisavam ter utilidade, apenas existiam. Escrever era leve, como se fosse realmente um diário, só que público. Eu amava os posts longos, de temas diversos, e me inspirava mais em palavras do que em imagens. O tempo passou, fiquei anos longe dos blogs, até que retornei a acompanhá-los quando a moda de "look do dia" estava tomando forma. Daí para os canais de beleza do Youtube foi um pulo, e passei de leitora a visualizadora (oi...

Carta para mim no passado, há 10 anos

Minha grandiosa Bruninha: Poderia te mimar com belas ilusões, dizendo que todos os seus sonhos tornaram-se realidade e você chegou lá. Mas mentiras graciosas não fazem bem, como você ainda vai aprender. Daqui a 10 anos a Bruna não terá conquistado nem 20% do que planejava a adolescente. E necessariamente isso não será ruim. Seu caminho fará mais voltas do que imagina, mas não se desespere. Procure ampliar seu olhar e apreciar a vista. Não precisa correr, mas também não pare diante de obstáculos. Garota, como você é forte! Ainda não tem consciência do seu potencial, e muitas vezes se subestima. Por favor, não se machuque aprisionando-se em si mesma! Sua vontade de crescer é importante, porém não deixe que esmague os prazeres da vida. Seja mais tolerante com seus erros. Você não é perfeita e nunca será. E isso não deve ser vergonhoso. Também seja mais paciente com as falhas alheias. Algumas amizades perdidas farão muita falta, enquanto outras serão uma libertação. Apure...

A cor do sangue

O sangue que escorre de sua carne é escarlate como meu. Mesmo odor e gosto metálico, não é possível distingui-los quando misturados. Mas o sangue que escorre de minha pele negra vem de feridas antigas, que não me lembro, mas ainda doem. as chicotadas deixaram cicatrizes horrendas, mas não me envergonho delas.  Não foi você que me feriu, por isso não o culpo. Apenas peço que entenda minha dor. Não maltrate minha pele, já sensível de tanta tortura. Nosso sangue tem a mesma cor, podemos ser parceiros, amigos, irmãos? *Escrevi para o projeto #pcpoemaeveryday do blog Onça malhada (clique aqui)  . Escolhi o tema racismo. Para ficar mais claro: XD

Pássaros - Pc poema everyday

Era um apaixonado por pássaros. Não se tratava de uma admiração, fascínio, mas uma fixação que beirava à insanidade. Passava horas observando esses seres voadores, investia quase todo o salário para tirar as melhores fotografias, sabia as espécies só em ouvir seu canto. Tinha certeza que a roda das encarnações havia quebrado quando sua alma foi endereçada a um corpo humano, pois o destino correto seria em um pássaro. Imaginem então qual a sensação quando nosso amigo acordou e percebeu que não tinha mais braços, e sim asas magníficas! Eu ou você ficaríamos desesperados, imaginando estarmos loucos, mas não ele. Debruçou-se na janela, e sem treino algum, iniciou voo.  Viu um bando no céu e juntou-se a eles. Mas seus amado pássaros não o aceitaram. Mudavam a rota, entoavam horripilantes sons. O homem-pássaro voltou. Percebeu que não bastavam asas para mudar sua natureza. A mudança precisava vir de dentro para fora, e não o contrário. As penas caíram, as asas transformam-se em braç...

O Talo - PH Poem a week

Não era uma flor especial. Vivia em um jardim com rosas, muito mais coloridas, perfumadas e formosas do que ela. Sofria por ser tão sem graça e nem espinhos ter em seu talo. Suas amigas riam desse detalhe, apontando para seu corpo desprotegido. Uma mão macia surge como que por encanto e toca as belas rosas ao seu lado. Imediatamente apaixona-se por essa mão, mas sabe que é ordinária demais para ser notada. Mas os talos das outras são cheios de afiados espinhos. Eles impedem que sejam levadas e a mão desiste delas e parte para a florzinha de talo liso. Ela se deixa levar, sob os protestos das rosas, indignadas com tamanho desapego às raízes. Não sabe para onde vai, mas a flor está feliz. Percebeu que sua diferença a faria conhecer outros locais. O jardim já não era o bastante para sua felicidade.