Nosso amor era tão lindo quando jovem. Forte, despreocupado, alegre e provocante. Nosso amor era menino travesso, irresponsável e sedutor. Era bicho solto, livre, sem rumo nem medo. Fresco como brisa inesperada de uma tarde de verão. Era céu estrelado em noite sem nuvens. Era sorriso bobo, mãos inquietas, beijos desesperados e olhos brilhantes. Nosso amor foi se transformando, ficando adulto. Deixou as birras, ficou menos malcriado. Maduro, queria mais: Uma família, casa quitada após trinta e cinco anos de financiamento e um plano se saúde para amenizar nossas dores de velhos. Amor virou um respeitável senhor, sorrisos calculados, abraços no final de ano, beijo sem mordida. E ele se transformou ainda mais. Foi tornando-se algo disforme, até grotesco. Da alegria fez-se medo, a tristeza prendeu nosso amor e não quer mais deixá-lo escapar. E ele é noite de pesadelos, choro contido, riso nervoso, cama solitária e coração partido. *Eita, texto mais triste! Não é total...